ACIU - Associação Comercial e Industrial de Uruguaiana

Noticia

PUBLICADO EM: 12/02/2010

Não deixe morrer meu rio

A Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai está comprometida. O alerta foi parar nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda sem uma solução prática, segundo Juraci Luques Jacques, presidente da Comissão Binacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Paso de Los Libres/Uruguaiana.

O excesso de coliformes fecais (160 mil em cada 100 ml de água), metais pesados e agrotóxicos, em levantamento oficial realizado pela CORSAN, prejudica a oxigenação das águas que agora voltam a sofrer também com a presença de algas que proliferam a partir do retorno do rio ao seu leito original. A CARU – Comissão Administradora do Rio Uruguai, com sede em Salto, no Uruguai, monitora em cinco importantes pontos do rio a presença do vibrião da cólera, (um dos agentes contaminadores é o mexilhão dourado encontrado em maior quantidade na confluência dos rios Quaraí e Uruguai, na Barra do Quaraí). Com este conjunto de agressões a mortandade de peixes seria mesmo inevitável e caso não haja uma ação eficiente, as populações ribeirinhas correm sérios riscos de problemas com a saúde, lamenta Jacques.

A oxigenação das águas do rio Uruguai está próxima de zero, alerta o responsável pelo tratamento de água da unidade da CORSAN em Uruguaiana, José Francelino Fialho. A proliferação de algas, alimentadas por fósforo liberado pelas lavouras de arroz e material orgânico abundante em decorrência das cheias e chuvas do último mês, além de provocarem gosto e odor também provocam o fenômeno. Também foi constatada, nas margens do rio, a mortandade de toneladas de caracóis e mexilhões dourados.

No verão, dos últimos cinco anos, as populações ribeirinhas têm sofrido com o surgimento de algas. Segundo Fialho, 10 gramas de carvão ativado por metro cúbico somam-se ao sulfato de alumínio e cloro. A poluição causada pelo despejo de esgoto “in natura” das cidades da região e de elementos químicos produz alimentos às algas que por sua vez contribuem para a desoxigenação das águas. Hoje, estão sendo bombeados 36,23 mil m3 de água/dia para abastecer a cidade – média 40% superior aos demais meses do ano. De acordo com Fialho, a potabilidade da água não apresenta riscos à saúde, porém há muito tempo não se consumia tanta água mineral em Uruguaiana.

Peixes contaminados, degradação e planos 2010

A Comissão Binacional dos Recursos Naturais Renováveis Paso de los Libres (AR) - Uruguaiana (BR) e o Movimento Trans-fronteiriço elaboraram documento com ítens fundamentais à preservação do meio ambiente. Segundo Juraci Luques Jacques, estão previstas: luta pela criação do Fundo Nacional para Preservação do Bioma Pampa; luta pela criação da Reserva Estadual do Cerro do Jarau, importante ecossistema da fronteira; a realização da Semana Municipal do Rio Uruguai de 26 a 30/06 de 2010; reiterar aos governos do Brasil e da Argentina a necessidade de criação do Comitê Comunitário da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai; luta pela implantação do projeto Aquífero Guarani e o Estuário do Rio da Prata, medida urgente para recuperar o rio Uruguai e evitar a contaminação do Aquifero (maior reserva de água doce do planeta); reestudo do Plano Enérgico da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai que deteriora o sistema hídrico sem retorno algum à área afetada; firmar acordo entre Brasil e Argentina para preservação da fauna do rio Uruguai; tornar inaceitável os índices de contaminação da Bacia do Rio Uruguai por metais pesados, agrotóxicos e coliformes fecais (os peixes estão contaminados por cromo e mercúrio) comprometendo a cadeia alimentar de centenas de pescadores do RS; monitorar a implantação do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Região Brasileira do Rio Uruguai, com a possibilidade de implantação também na Argentina. Os investimentos a partir do rio Uruguai deverão reverter 10% dos custos à preservação do próprio Uruguai; dar apoio aos projetos escolares de recuperação da mata ciliar do Uruguai; luta pela instalação de Pelotão de Fuzileiros Navais visando o patrulhamento da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai (no período de piracema os policiais são remanejados para o litoral) permanecendo apenas um fiscal para cobrir oito municípios e, por último, luta pela unificação da legislação da pesca no rio Uruguai. Proibir a pesca com rede do lado brasileiro a exemplo do que ocorre, faz 20 anos, do lado argentino.

 

FONTE: Jornal da ACIU

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