Em 16 de junho de 2009 foi inaugurado o Centro Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento em Produção de Ovinos com o principal objetivo de desenvolver pesquisa e proporcionar condições de treinamento para alunos e produtores rurais na área de produção e manejo de ovinos.
Esse Centro, coordenado por Cesar Poli (professor adjunto-UFRGS), Zelia Castilhos (FEPAGRO) e Flavio Albite (FEPAGRO), gerará informações importantes para o desenvolvimento da ovinocultura no Rio Grande do Sul, através da pesquisa, ensino e extensão. Ele servirá como um pólo de conhecimento e desenvolvimento, onde os alunos poderão praticar e os produtores terão acesso a novas tecnologias de produção. A criação do Centro vai ao encontro da premência institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO) em oferecer à sociedade, como produto de sua atuação, um elenco de soluções tecnológicas e/ou resultados de pesquisas caracterizados em processos tecnológicos para o desenvolvimento sustentável e modernização do agronegócio brasileiro.
As ações que norteiam a criação desse Centro representam a busca de alternativas para atender a demanda por produção sustentável. A ovinocultura é importante para a diversificação da produção e complementação de renda do produtor, otimização da produção por unidade de área, consumo racional de energia, proteção ambiental, fixação do homem no campo, manutenção do potencial produtivo dos recursos naturais renováveis e para as condições sócio-econômicas das diferentes comunidades. A ovinocultura de corte destaca-se pela possibilidade de renda para o produtor e diversificação da produção (redução do risco). Em regiões com alta concentração de pastagens a produção de ovinos pode trazer um aumento considerável na circulação da riqueza. Ela pode favorecer a industrialização da região através de disponibilidade de matéria prima em maior quantidade e diversidade de produtos ofertados, promovendo um aumento na oferta de empregos diretos e indiretos. O grande potencial da ovinocultura tem sido já há muito tempo demonstrado, com um importante efeito para o sistema produtivo do Rio Grande do Sul. Se compararmos com outros Estados, a produção de ovinos é um diferencial importante na economia e na atividade agropecuária Gaúcha. Atualmente, o Estado apresenta a maior população de ovinos do Brasil, conta com um rebanho de aproximadamente 4 milhões de cabeças. O Rio Grande do Sul tem tradição na atividade, entretanto grande parte das propriedades de ovinos apresentam animais de baixo padrão zootécnico, ou como atividade secundária à exploração de outras atividades. Com a valorização das terras com as culturas agrícolas e florestais, nota-se uma tendência à divulgação de tecnologias com uso excessivo de concentrados, o que se aplicaria a ovinocultores com nível mais alto de gerenciamento e investimento. No outro extremo, historicamente o que se registra é a exploração das pastagens com baixíssimo nível tecnológico, subestimando essa fonte de nutrientes e favorecendo a ocorrência de infecções parasitárias.
No caso do Rio Grande do Sul, há a possibilidade de uso de forrageiras de inverno de boa qualidade e de adequação do manejo do campo natural durante o crescimento dos cordeiros, o que poderia promover um uso mais racional dos concentrados. Essa tecnologia pode resultar em abate de animais jovens e com qualidade, e ainda promover a recuperação mais rápida da condição corporal das ovelhas, refletindo em desestacionalização do ciclo reprodutivo, melhorando a freqüência de oferta de carne. Grande parte da produção ovina no Rio Grande do Sul ainda está alicerçada no tradicionalismo. Poucas tecnologias novas têm sido criadas para atender o grande potencial de produção de ovinos a pasto. A expectativa da criação de trabalhos conjuntos entre a UFRGS e a FEPAGRO na área de produção e manejo de ovinos em sistemas pastoris vem com a necessidade de geração de tecnologia que resulte em sistemas mais eficientes de produção de cordeiros, aumentando o retorno econômico para o ovinocultor e mantendo a sustentabilidade social e ecológica das propriedades rurais.
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